
Escolher um tema é a primeira ação que precisa ser realizada por uma pessoa de decide desenvolver uma pesquisa acadêmica.
Tema: o que é e como encontrar
Marconi e Lakatos (2007) entendem que tema é assunto que se deseja estudar e pesquisar. Para Wazlawick (2009), o tema corresponde a uma área de conhecimento ou um aspecto de uma área de conhecimento que se deseja investigar e desenvolver. Os referidos autores, ao apresentarem suas definições, apontam o que é o tema (assunto, área do conhecimento…) e as ações desenvolvidas em relação ao tema (pesquisar/investigar, estudar, desenvolver), o que nos leva a entender que a escolha de um tema exige do estudante interesse, compromisso e disciplina. Envolve também a busca por informações, o estudo e a reconstrução de conhecimentos.
O tema de pesquisa pode nascer a partir de: experiências cotidianas, nos vários espaços de convivência (ambientes de trabalho, participação em estágios); leituras de textos de vários gêneros textuais (dissertações, vídeos, fotografias, documentos); participação em palestras/ eventos culturais e científicos relacionados à área de formação; participação em aulas e cursos vinculados também à área de formação; diálogos informais em ambientes acadêmicos e/ou profissionais, dentre outros.
Critérios e perguntas para a escolha do tema
A escolha do tema é um dos primeiros passos na pesquisa, no qual o estudante pode ter muitas dúvidas sobre o que investigar. Para superar esse obstáculo, o pesquisador pode se orientar por alguns critérios, tais como:
- Importância científica e social: deve colaborar com a produção de novos conhecimentos, o desenvolvimento da ciência e a produção um bem real para a sociedade;
- Interesse do pesquisador: deve estar vinculado àquilo que ele gosta, pretende se dedicar e vislumbra possibilidades futuras;
- Adequação às condições do pesquisador: deve ser um tema cujo pesquisador tem condições de dar conta, considerando suas possibilidades, aptidões, tendências e conhecimento sobre o tema;
- É preciso que haja fontes disponíveis para estudo e pesquisa;
- Orientadores disponíveis na instituição ou recomendada por ela.
Pessoa indica (2005, p. 39), para auxiliar o pesquisar na escolha de um tema, as seguintes questões:
- Quais assuntos conheço bem e pretendo aprofundar?
- Que aspectos estão pouco explorados pela comunidade técnico-científica e com que eu poderia contribuir?
- Eu gostaria de ser referência em que assunto? Que tema mais me entusiasmou durante o curso?
- Qual tema poderei usufruir mais no meu trabalho?
- Em qual deles tenho mais facilidade de pesquisa?
- Para qual deles tenho um bom orientador disponível para me acompanhar?
Delimitar é preciso!
Uma questão fundamental que o pesquisador deve observar é que, geralmente, o tema vem de forma ampla e para facilitar o seu trabalho é preciso delimitar, escolher um aspecto a ser abordado, o que pode ser alcançado por meio de uma boa revisão de literatura e consequentemente com a delimitação de um problema de pesquisa. Sobre isso, Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 25) afirmam que “[…] uma questão ampla permite inúmeras possibilidades de busca de respostas; a especificidade, ao contrário, indica o ângulo, o enfoque e exatamente qual o fenômeno a ser abordado naquela investigação.”
Significado da escolha do tema
Para concluir essa reflexão a respeito da escolha de um tema de pesquisa, recorremos a um pensamento de Létourneau (2011):
A definição de um assunto é uma etapa importante na realidade de um trabalho de pesquisa. Seria errôneo acreditar que essa operação se resume à escolha de um título. Definir um assunto é dedicar-se a um exercício de questionamento sistemático. É transformar um tema de estudo ou uma ideia de pesquisa num problema por resolver. É alguma maneira dar forma à própria imaginação e às próprias intuições; é pôr em ação a curiosidade (LÉTOURNEAU, 2011, p. 247).
É a curiosidade que proporciona experiências de aprendizagem e movimenta o universo. Por que não experimentar esse ato de prazer?
REFERÊNCIAS
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996.
LÉTOURNEAU, Jocelyn. Ferramentas para o pesquisador iniciante. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
PESSOA, Simone. Dissertação não é bicho papão: destimisficando monografias, teses e escritos acadêmicos. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.